Há cerca de dez anos, a Inteligência Artificial ainda gerava debates hipotéticos. Hoje, quando falamos sobre IAs ao redor do mundo, uma das frases mais comuns e, talvez, equivocadas, é: “a IA vai substituir…”. Junto a esse discurso, uma dúvida surgiu: o avanço das IAs representa o fim dos cursos de Direito?
Hoje, o Brasil conta com mais de 1,5 milhão de advogados e advogadas em exercício, segundo a Ordem dos Advogados do Brasil. Quando falamos em bacharéis, a estimativa pode chegar a 3 milhões de pessoas.
Cada vez mais consolidadas e com ampla utilização popular, as IAs generativas, como o ChatGPT, ganham destaque em nosso país. De acordo com relatório apresentado pela Agência Brasil, o Brasil está entre os países que mais utilizam Inteligência Artificial generativa.
Recentemente, falamos sobre a importância de disciplinas relacionadas à gestão na grade curricular das universidades de Direito. Essa é uma queixa ouvida por advogados(as) há anos.
Porém, uma declaração mais enfática trouxe novos contornos a esse tema. O ex-executivo do Google, Jad Tarif, fundador da primeira equipe de IA generativa da companhia, afirmou que “cursos de Direito e Medicina são uma ‘perda de tempo’ na era da IA”.
O principal apontamento de Jad para sua declaração é o tempo. De acordo com o executivo, cursos de Medicina e Direito, que podem durar oito anos ou mais, tendem a não acompanhar a evolução da sociedade.
Por que a Inteligência Artificial não substituirá a graduação em Direito
Com o crescimento exponencial das Inteligências Artificiais e de ferramentas tecnológicas capazes de elaborar petições, realizar análises preditivas de decisões judiciais e até sugerir estratégias jurídicas, é natural que surjam questionamentos sobre o futuro das profissões jurídicas.
No entanto, pensar que a IA substituirá a formação jurídica é um equívoco. O Direito não se resume à aplicação de normas, mas envolve interpretação, ética, sensibilidade social e atuação humana diante de contextos complexos.
As tecnologias devem ser vistas como aliadas, otimizando processos e ampliando a capacidade de análise de profissionais e estudantes. O desafio, portanto, não é o fim dos cursos de Direito, mas a sua transformação. Universidades precisarão repensar currículos, incorporando conteúdos de tecnologia, inovação e pensamento crítico.