O Burnout, reconhecido e classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “doença/fenômeno ocupacional”, atinge mais de 30% dos trabalhadores brasileiros segundo levantamento realizado pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt).
Dentro do ambiente jurídico, em um mercado orientado por metas agressivas, prazos curtos e alta competitividade, a cultura da performance extrema passou a ser vista como padrão de excelência. Tornando o burnout silencioso na advocacia um dos principais desafios da gestão jurídica moderna.
Nesse cenário, jornadas prolongadas e disponibilidade constante são interpretadas como comprometimento. A lógica do “always on” se consolidou nas bancas: estar sempre acessível, responder rapidamente e superar metas de horas faturáveis virou regra informal de reconhecimento.
O problema é que o esgotamento profissional não surge de forma abrupta. Ele se instala de maneira progressiva, muitas vezes mascarado por bons resultados financeiros. Advogados(as) continuam performando enquanto, internamente, já operam no limite de sua saúde mental.
A saúde mental na advocacia ainda é pouco discutida de forma estratégica. Porém, ignorar o burnout impacta diretamente produtividade, retenção de talentos e rentabilidade. Alta performance sem sustentabilidade emocional é um modelo frágil.
Outro ponto relevante é que o burnout não atinge apenas advogados(as) associados(as). Sócios(as) também adoecem. Além da entrega técnica, acumulam pressão por captação, gestão de equipe, responsabilidade financeira e decisões estratégicas.
Como ocupam posição de liderança, raramente verbalizam sinais de exaustão. Quando o esgotamento atinge a sociedade, o impacto deixa de ser individual e passa a ser estrutural, afetando cultura, clima organizacional e resultados.
Sócios também adoecem? O impacto financeiro do esgotamento
O burnout na gestão jurídica tem impacto financeiro mensurável. A substituição de um(a) advogado(a) estratégico envolve novos recrutamentos, tempo de adaptação e possível perda de clientes.
Equipes emocionalmente esgotadas apresentam menor capacidade analítica, maior propensão a erros e redução de eficiência. Isso compromete margens e aumenta riscos operacionais.
Além disso, escritórios com reputação de sobrecarga constante enfrentam dificuldade para atrair e reter talentos qualificados, prejudicando seu employer branding jurídico.
A alta performance sustentável exige revisão de métricas, formação de lideranças e equilíbrio entre metas e saúde mental. O verdadeiro diferencial competitivo não está em trabalhar mais horas, mas em construir uma gestão jurídica capaz de gerar resultados consistentes sem esgotar suas pessoas.
A pergunta estratégica não é se existe burnout na sua banca.
É quanto ele já está custando para o seu negócio.