Agilidade Emocional e seu impacto no desenvolvimento pessoal e profissional

Agilidade Emocional e seu impacto no desenvolvimento pessoal e profissional - Perroni Consultoria

Frequentemente confundida com inteligência emocional, a agilidade emocional está diretamente relacionada à maleabilidade no manejo das próprias emoções. Criado por Susan David, psicóloga e professora da Harvard Medical School, e apresentado ao público na obra Emotional Agility: Get Unstuck, Embrace Change, and Thrive in Work and Life (Agilidade Emocional: Abra sua mente, aceite as mudanças e prospere no trabalho e na vida), o conceito de agilidade emocional corresponde ao relacionamento interno que cada pessoa estabelece com seus sentimentos e sensações. Trata-se, em outras palavras, da habilidade de reconhecer e utilizar as experiências pessoais – positivas e negativas – de forma mais consciente e proveitosa (DAVID, 2016).

Segundo a autora, nossa capacidade de aceitar e lidar com nossas próprias emoções e sentimentos está diretamente relacionada com o modo como atingimos nossos objetivos pessoais e profissionais. Nesse sentido, o que realmente importa no processo de amadurecimento mental não é a inteligência ou a criatividade, mas sim a flexibilidade com qual lidamos com nosso mundo interior.

Outro ponto importante a ser destacado é que desenvolver uma boa agilidade emocional não significa estar imune ao estresse ou demais problemas da vida, ou ainda eliminar os pensamentos negativos. Esses aspectos continuam presentes e são essenciais para nosso desenvolvimento como indivíduos. A principal diferença está na intensidade com a qual lidamos com eles, por nos tornarmos mais adaptativos, aprendendo a direcionar nossa energia para o que realmente importa: a tomada de decisão e o aprendizado.

Vivemos em um tempo em que as mudanças são constantes, e adaptar-se de forma rápida é cada vez mais exigido, não apenas pelo contexto da pandemia em si, mas pelo dinamismo já presente no mundo digital. Considerando isso, a agilidade emocional torna-se uma importante habilidade, contribuindo muito para atingirmos o sucesso profissional. Como toda habilidade, a agilidade emocional pode ser aprendida e desenvolvida. Para isso, Davis propõe a aplicação de quatro premissas. São elas:
  • Todas as emoções devem ser avaliadas. Em vez de ignorar pensamentos e emoções difíceis, ou enfatizar o “pensamento positivo”, deve-se encarar pensamentos, emoções e comportamentos considerados negativos com a mesma curiosidade e gentileza que dedicamos para nossos melhores sentimentos. É importante praticar o autoconhecimento.
  • Observe a mesma situação por pontos de vista diferentes. Desenvolver metavisão (ver de cima) pode ser particularmente útil quando cometemos erros. Podemos nos torturar por causa das mais simples mancadas, ou aprender a percebe-las como realmente são, aprendendo as lições objetivas que ela traz e olhando para os sentimentos que elas causam como apenas sentimentos, e não como fatos consumados. Para isso, é importante exercitar nossa capacidade de atenção plena. Sair do “piloto automático” possibilita nos observar “de fora”, criando o espaço entre o pensamento e a ação que precisamos para garantir que estamos agindo com base em uma escolha e não apenas pela força do hábito.
  • Seja coerente com seus motivos. Identificar o que você valoriza e agir movido por isso é muito importante, mas nem sempre é fácil. Isso porque somos constantemente bombardeados por mensagens (da mídia, da família, da cultura, da nossa criação…) a respeito do que é importante ou do que nos torna importantes, e acabamos tendendo a comparação. Quando tomamos decisões de maneira inconsciente acabamos sendo direcionados para o que é comum, e não para nosso real desejo. Viver dessa forma pode exaurir seu propósito de trabalho e de vida, trazendo um sentimento inquietante de que tudo parece incerto e que não somos realizados. Experimente entrar em contato com seus valores, entendendo que eles não são ideias abstratas, mas, sim, o verdadeiro caminho para a força de vontade, a resiliência e a eficácia.
  • Ajuste-se. Ajustar nosso mindset, nossa motivação e nossos hábitos, envolve voltar nossa ação para a fluidez do mundo, em vez de fincar o pé na estabilidade. Significa ajustar-se para adotar uma constante postura de curiosidade, experimentação e descobertas. Esse processo é viável a partir da aplicação de dois princípios: o “Princípio dos minúsculos ajustes”, que nos permite formar hábitos aliando-os aos valores e metas pessoais, e o “Princípio da gangorra”, que nos incentiva a viver no limite da nossa capacidade, optando pela coragem em vez do conforto e fazendo o melhor que podemos no momento.

Como pode observar, falar sobre agilidade emocional abre diversos caminhos de discussão, igualmente interessantes, e seria um desperdício passar por todos eles nesse artigo, sem a devida profundidade que o tema merece. Convido a você, caro leitor, para conhecer o trabalho de Susan Davis e espero que possamos conversar mais sobre o tema em breve.

Gessica Dorneles

Gessica Dorneles

Graduada em Psicologia pela UFMG, Coach pela Academia do Psicólogo e Headhunter especializada no segmento jurídico.

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