O Estresse Como Fator de Alerta em Relação a Doenças do Trabalho

Muito se discute sobre o significado do trabalho para as pessoas. Historicamente, há uma grande variação, passando desde uma concepção pejorativa até um instrumento de dignificação e identidade humana.

De todo modo, não há como negar seu papel de destaque na sociedade e o enorme valor que representa na vida das pessoas. Entretanto, há um lado alarmante que deve ser considerado: o ambiente de trabalho, em condições de estresse, pode ser muito propício para o surgimento ou o agravamento de transtornos psicológicos.

Em Psicologia, de acordo com o modelo chamado estresse-diátese, há uma propensão para que, em algum momento, experiências estressoras associadas a fatores genéticos possam fazer eclodir quadros psicopatológicos. A este respeito, há um Manual de Doenças Relacionadas ao Trabalho, adotado pelo Ministério da Saúde[1] que, a título de exemplo, mencionam os seguintes: alcoolismo, depressão, estresse pós-traumático (presenciar acidentes graves, por exemplo), transtornos de vigília-sono e a síndrome do esgotamento profissional.

Tendo o conceito acima em mente, podemos fazer uma avaliação, especialmente sobre os últimos meses, nos quais o mundo viu-se assolado pelo aparecimento e consolidação da pandemia da Covid-19. Além da necessidade de confinamento, isolamento social e, portanto, enfraquecimento das relações interpessoais, inúmeros outros fatores contribuem para o aumento do estresse. Este tema já foi tratado em insight anterior (Parâmetros de Equilíbrio Emocional em Tempos de Crise, publicado no blog em 14/04/2020).

Assim, em um ambiente de pressão por maior produtividade, rapidez e qualidade na entrega, principalmente em um contexto de crise, não é incomum o surgimento de doenças. É importante, desta forma, que haja cuidado com as relações e com a organização do trabalho.

O que uma empresa pode fazer para evitar ou ao menos mitigar os riscos de que tal situação aconteça com seus colaboradores? O papel do RH (interno ou pela atuação de uma consultoria) é de extrema importância para este fim. Ele auxiliará na construção de uma cultura corporativa baseada no crescimento, na competição saudável, mas que seja, acima de tudo, colaborativa e que promova a interação. Uma Pesquisa de Clima periódica, por exemplo, pode ser muito efetiva.

No mesmo sentido, estudos apontam que os principais fatores para combate e prevenção de complicadores advindos do estresse são exercícios físicos, boa alimentação e descanso. Uma boa dica seria incentivar estes hábitos com o oferecimento de inventivos relacionados ao bem-estar, incluindo a terapia.  O fornecimento de feedback e abertura para recebê-los também são importantes, pois ajudarão a identificar insatisfações e situações de sobrecarga.

Todas as medidas citadas acima buscam, em última análise, o aumento da qualidade de vida no trabalho e o resultado certamente será o aumento da satisfação e, consequentemente, da produtividade.

 

 

[1] O manual pode ser acessado em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doencas_relacionadas_trabalho_manual_procedimentos.pdf

Pedro Palhares

Pedro Palhares

Graduado em Direito e graduando em Psicologia pela Universidade Fumec, Pós graduado em Mediação de Conflitos pela FGV/SP e Headhunter especializado no segmento jurídico.

Compartilhar:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email

Posts anteriores

#10 Podcast – Plano de Sócios

Olá, olá. Mais um podcast no ar! Neste episódio o nosso sócio-fundador Eduardo Perroni recebeu Ricardo Oliveira, sócio e diretor comercial na Perroni Consultoria. Em uma conversa

#09 Podcast – Transformação Digital

Olá, olá. Mais um podcast no ar! Neste episódio o nosso sócio-fundador Eduardo Perroni recebeu Leonardo Toco, especialista em transformação digital e Leandro Gonzales, scrum master e

Assine a nossa newsletter